quinta-feira, 18 de março de 2010

Importância da vacinação à Gestante

A vacinação da gestante é procedimento bastante restrito, devido aos riscos reais ou teóricos de ação nociva contra o feto. Em geral contra indicam-se as vacinas vivas, mas em relação as vacinas não vivas ainda há duvidas ou desconhecimento sobre a inocuidade de muitas delas, exceto a vacina anti-tetânica, ou combinada contra difteria e tétano, às quais já existe experiência acumulada de uso durante muitos anos sem relatos de problemas.

Tipos de Vacinas


  • Vacinas de rotina:
     São aquelas que devem ser aplicadas sempre que a gestante não estiver em dia com elas – vacina duplo tipo dt (anti-tetânica e anti- difteria);


  • Vacina circunstancial: São aquelas que devem ser utilizadas em situações especiais de risco, por exemplo: mordedura de animais com risco de adquirir raiva ou epidemias, sem imunocomprometimentos ( contra hepatite B, contra raiva, contra febre amarela, antimengocócicas (a, c, y, w 135), contra cólera, contra peste, contra rickettioses ( febre maculosa, tifo).

    As vacinações em gestantes com fatores especiais:
  • Referem-se às gestantes com fatores predisponentes para adquirir determinadas infecções, por exemplo, diabéticas insulino-dependentes, portadoras de doença pulmonar, renal ou cardíaca crônicas e graves. (contra influenza, antipneumocócica (polissacáride), contra hepatite B e contra hepatite A ).
     Algumas são contra indicadas durante a gestação, pelo risco de acometimento fetal, como a BCG, contra sarampo, contra rubéola e antimeningocócica BC.
     E outras são desnecessárias como, a poliomielite ( inativada e viva, oral, VIP e VOP), e a Anti-Hib.


  • Vacinação de gestantes infectadas pelo HIV:
     Vacina de Rotina contra difteria-tétano, tipo adulto, de acordo com o esquema habitual. As vacinas de uso circunstancial deveram ser utilizadas quando for considerado necessário, em princípio, evitar as demais vacinas.
     Vacinação da gestante com imunocomprometimentos ( exceto infectadas pelo HIV):
     A eficácia das vacinações é questionável nestas circunstancias, indica-se a vacinação de rotina contra difteria – tétano, de acordo com o esquema de rotina e as de utilização circunstancial, quando forem necessárias.

  • Vacinação no puérperio
    É medida profilática importante para evitar a rubéola congênita das gestações seguintes e deve ser feito mesmo sem sorologia prévia para rubéola. Se a puérpera já tiver sorologia positiva para rubéola, vacinação é desnecessária, mas não faz mal.


  • Vacinação da gestante contra tétano e difteria.
     É realizada na prevenção do tétano no recém-nascido, para a proteção da gestante, com a vacina duplo tipo adulto – dt e na falta desta, com o toxóide tetânico –TT.


  • Gestante não vacinada:
     Consta de três doses, podendo ser adotado seguinte esquema básico;
    - nas primeiras doses com intervalo de dois meses (mínimo de um mês) aplicando-se a primeira precocemente, e a terceira dose seis meses depois da segunda, caso só haja tempo para aplicar duas doses, a segunda deve ser aplicada 20 dias, ou mais antes da data provável do parto.
    - três doses, de dois em dois meses (intervalos mínimos de um mês), aplicando-se a primeira mais rápido possível, se não houver tempo para aplicar as duas doses, a segunda deve ser aplicada 20 dias antes da data provável do parto.
     Tem se optado por outro esquema nas diferentes regiões do país, por motivo operacional.


  • Esquema básico na gestante vacinada:
     A gestante que recebeu uma ou duas doses de vacina contra o tétano (DT8, DT, dT ou TT) deverão ser aplicadas mais duas ou uma dose da vacina duplo tipo adulto (dT), para completar o esquema básico de três doses, a terceira antes da data provável do parto.
     O reforço de dez em dez anos, antecipar a dose de reforço se ocorrer nova gravidez cinco anos, ou mais, depois da última dose, 20 dias antes da data provável do parto.

    Reações adversas 

  • dor

  • calor

  • vermelhidão

  • enduração local e febre.

    Contra indicações

  • Reação anafilática sistêmica grave

  • Síndrome de Guillanin-Barré nas seis semanas após vacinação contra difteria e/ou tétano anterior.

    Imunização passiva da gestante
     Deve ser feita normalmente, de acordo com as indicações. As imunoglobulinas humanas especificas podem ser encontradas nos CRIES.

    Grupo de gestantes
     Comunicantes de sarampo e suscetíveis à doença – imunoglobulina padrão standard.
     Comunicantes de hepatite A e suscetíveis à doença – imunoglobulina padrão standard.

    Gestantes não vacinadas
     a) vitimas de abuso sexual, contra a hepatite B;
    b) comunicantes sexuais de caso agudo de hepatite B.
    c) exposição sangüínea quando o índice for HbsAg+ ou de auto risco e as gestantes profissionais de saúde não vacinadas contra hepatite B. (Imunoglobulina humana anti-hepatite B + iniciar ou completar vacinação contra hepatite B.
    d) gestantes cujo teste de sensibilidade ao soro anti-rábico seja positivo e que necessitem de imunização positiva contra raiva.
    e) Gestantes com historia de reação anafilática após a aplicação de soros heterólogos. (imunoglobulina anti-rábica).
    f) Gestantes que tiverem teste de sensibilidade ao SAT positivo e que necessitem de imunização passiva contra o tétano (imunoglobulina humana anti-tetânica).
    g) Gestantes comunicantes de varicela e suscetíveis à doença ( imunoglobulina humana antivaricela-Zóster).

    Reconstituição e administração
     O vacinador antes de administrar a vacina deve;
     Lavar a mãos e organizar o material (seringa, agulha e outros) retirar a vacina do refrigerador ou da caixa térmica, verificando o nome e o prazo de validade.
     Aspirar o volume a ser administrado, verificando se a dosagem esta correta.
     Reorientar o cliente sobre questões especificas.
     Registrar a vacina administrada orientar o cliente sobre retorno , quando for o caso, para complementar o esquema básico de vacinação.

    Bibliografia

  • Watson Jc, Peter Georges; general Iurmunizations Practices –IN: Plotkim SA, Orestein Wa (Eds). Vaccines. 3 rd. ed. Philadelphia, Saunders, 1999. p. 47-73.


  • Carvalho L. H. Faleiros, vacinação da gestante. In: Farht C. K. Carvalho ES, Weckx L. Y. Carvalho LHF, Succi RCM (Eds) Imunizações – fundamentos e pratica. Atheneu, São Paulo, 4º ed. 2000 p. 181 – 191.


  • Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Normas de vacinação (no prelo). 
  • Nenhum comentário:

    Postar um comentário